Sementes crioulas: tempo estimado de 2:23.

Já comentamos sobre as sementes de milho que encontramos no mercado: chamadas de F1, elas só podem ser plantadas uma vez, para manter a qualidade. Há opção? Sim, são as sementes crioulas. Mas porque esse nome? Ele vem do verbo latino “creare”, que significa criar: quando se trata de sementes, são aquelas que conservam no seu interior, na sua genética, uma imensa memória de biodiversidade, constituindo um patrimônio produtivo, cultural e humano. Em outras palavras, elas carregam na sua história ancestral múltiplas informações sobre o clima, solo, tratos culturais e é isso que lhes confere grande flexibilidade ante adversidades como estiagens, ou excesso de chuva, ou solos diferentes do ideal. Com tudo isso produzem espigas, no caso do milho, aptas para alimentação, que por sua vez servirão para novos plantios, mantendo o ciclo que se iniciou há cerca de 10.000 anos atrás, com a domesticação das plantas pelos primeiros seres humanos. Mas são sempre coloridas as sementes crioulas? Os tons de amarelo, vermelho, até mesmo roxo são lindos mas há espigas simplesmente no tom da cor laranja. E só existem sementes crioulas para milho? Não, elas também o são para outros alimentos, como feijões, girassol, quiabo. A agricultura familiar é tradicionalmente a guardiã dessas sementes, lutando para manter seu cultivo de forma autônoma e saudável. Mas a relação com essas sementes vai além, pois seu nome é carregado de afeição em alguns estados brasileiros: na Paraíba, são sementes da paixão; no Piauí, da fartura. Em Alagoas, são as sementes da resistência e em Sergipe, da liberdade. Vivas!!

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