A mensagem das flores na Ikebana Sanguetsu

Sabemos que as flores são belas, enfeitam qualquer ambiente e garantem a satisfação de quem as recebe. Mas elas podem muito mais. Foi o que vislumbrou o fundador da Igreja Messiânica, Mokiti Okada (1882–1955), trazendo o Belo, e as flores, para um dos pilares de sua filosofia, difundida pela Ikebana, estilo Sanguetsu, instituída oficialmente em 1972 por Itsuki Okada, sua filha, no Japão.

Já na década de 1940 Mokiti Okada idealizava a prática de promover arranjos de flores com um “algo” a mais que faz toda a diferença entre um buquê e a ikebana: neste há a vivificação floral, expressão do sentimento sincero, do respeito à natureza e da simplicidade, um caminho (“do”) para a transmissão de energia e vibrações positivas ao redor.

Sabendo o significado de cada palavra podemos compreender melhor do que se trata: “ike” provém dos verbos “Ikeru” (colocar, dispor ou arrumar flores), “Ikiru” (viver, tornar vivo ou chegar à verdadeira essência de algo), e “Ikassu” (iluminar da melhor forma possível, ajudar a indicar a verdadeira essência, tornar a vida mais pura, mais clara); “hana”/“bana” tem o significado literal de flor (“ka”), mas, por extensão, é entendida como planta ou parte de uma planta. IKEBANA é a arte de arranjar flores, ramos e galhos naturais numa composição, evidenciando-lhes a beleza (Fundação Mokiti Okada, site abaixo).

Já a palavra “Sanguetsu” têm como referência uma casa de chá construída no Solo Sagrado de Hakone, no Japão, e representa a Verdade, o Bem e o Belo.

Mokiti Okada enfatizava a importância do Caminho (“do” ou “miti”): “(…) Caminho é o meio pelo qual todas as coisas se ligam. Os meios de transporte, as ondas elétricas, os raios luminosos, o deslocamento das pessoas de um lugar para outro, tudo depende do caminho. Sendo assim, o caminho é a base de todas as coisas e, consequentemente, podemos concluir como é errado desviar-se dele”.

Não se trata, como já mencionamos, de fazer lindos arranjos em vasos, ainda que sejam com flores raras e caras, como as orquídeas, ou de cores vibrantes e perfumadas, como antúrios e rosas, dispostas em formatos e vasos inusitados. O poder transformador vem da vivificação da flor. Mas o que é isso?

Em primeiro lugar, Mokiti Okada ensina que se deve obedecer à natureza, aliando-a à técnica: acrescentar sentimento na forma metódica do arranjo, deixando que a flor, o ramo, a folha com ele interajam. Feito isso, respeita-se a origem e o habitat dessas plantas e desenvolve-se progressivamente o interesse pela Arte e a consciência do Belo.

Por fim, mas não menos importante, diz o mestre: “Cortar e vivificar a flor que desabrocha na natureza significa encurtar sua vida. Dessa forma, com gratidão e humildade, devemos realçar sua beleza vivificando, ao máximo, suas características inatas. Caso contrário, não teremos como nos desculpar perante a Natureza.” 

Assim se dá o respeito, às pequeninas e grandes coisas, e aos seres que nos circundam. Assim se dá a vida, única, que nos presenteia todos os dias: esse é o sentido, silencioso e sereno, do agradecimento.

A beleza da flor,

Quando a fixo compenetrado,

Volto a sentir

Quão profundas são

As bençãos de Deus.

Sem conhecer as impurezas do mundo,

Desabrocha uma camélia no jardim,

Com ela, ornamento meu lar.

Aqueles que têm o desejo ardente

De se igualar à beleza das flores,

Possuem corações

Que a elas se assemelham.

Mokiti Okada

Para saber mais:

Fundação Mokiti Okada: https://www.fmo.org.br/sanguetsu/

Imagens:

Abertura: https://bit.ly/2mrfK3X

Final: https://bit.ly/2ktk3er

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